Poesia Reunida, de Antonio Brasileiro

Poesia Reunida, reúne obras e poesias de Antonio Brasileiro em um único livro, revisado pelo próprio autor, na orelha do livro tem as palavras da Myriam Fraga, com a apresentação de André Seffrin, a capa do livro trata-se de uma imagem de uma das obras de Antonio Brasileirofeita a oléo, o livro tem 264 páginas, com apoio da Secretaria da Cultura e Turismo, Fundação Cultural do estado, Empresa Gráfica da Bahia, livro do ano de 2015.


 Poesia Reunida, reúne obras e poesias de Antonio Brasileiro em um único livro, revisado pelo próprio autor, na orelha do livro tem as palavras da Myriam Fraga, com a apresentação de André Seffrin, a capa do livro trata-se de uma imagem de uma das obras de Antonio Brasileirofeita a oléo, o livro tem 264 páginas, com apoio da Secretaria da Cultura e Turismo, Fundação Cultural do estado, Empresa Gráfica da Bahia, livro do ano de 2015.
   O poeta nos trás uma poesia bem traçada, filosófica, e que requer muita atenção, muitas das vezes como se fosse uma trova, a repetição de algumas palavras para enaltecer, para tornar algo magnifico, ou até mesmo para cantar, dar uma sensação de calma “(…) Para isto somos feitos – / para glorificar nossos feitos / em odes, para aquietar / o peito, aquietar o peito.” (trecho da poesia Os Feitos).
uma oficina de poesia, o poeta que encontra-se a frente da oficina nos fornece poesias de outros poetas, para que leiamos, e muitas das vezes escolhamos a poesia de um dos poetas, para que façamos a nossa própria poesia, e a poesia de Antônio Brasileiro é uma poesia lapidada, é uma poesia que mostra que tem uma certa qualidade estética, e que tem um exercício de escrever e reescrever. A poesia ” O que esculpe uma face”, levou-me a poesia “Procura da poesia”, da autoria de Carlos Drummond de Andrade. O Drummond escreve “Não faças versos sobre acontecimentos. / Não há criação nem morte perante a poesia. / Diante dela, a vida é um sol estético,/ Não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. / Não faças poesia com o corpo, / esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão (…)” (Primeira estrofe da poesia Procura da Poesia), Antônio Brasileiro escreve “Não faças poemas sobre coisas / nem fatos / faça o que esculpe / uma face, / Sobre o que não fica / nem passa. Sobre o que flui na alma, /não na carne” ( Parte da poesia O que esculpe uma face).
O que me chama a atenção também é a forma que o poeta ver o mundo, como por exemplo na poesia “Contemplação da nuvem”,quem sabe o Carpie Diem, so que com um traço diferente sem perder o estilo, numa forma sempre filosófica “A vida é a contemplação daquela nuvem. / E o mundo / uma forma de passar, que inventamos para não ver que o mundo não é o mundo, / mas uma nuvem / passando” (Primeira estrofe da poesia Contemplação da Nuvem), é belo demais, e o que também encanta é que na segunda estrofe o autor diz “E uma nuvem passando / ensina-nos mais coisa que cem pássaros / mil livros um milhão de homens.”.
Também vejo um Antonio Brasileiro que vai contra a burguesia, contra as “senhoras e os senhores”, um Antônio Brasileiro pode-se dizer Mario de Andrade, quem sabe como se estivesse cantando “Ode ao Burgues”, Antonio Brasileiro faz uma bela ironia, ao lírico mas lírico e irônico, com um tom de ironia, e realidade, e aquela vontade de mandar tudo aquilo que é certinho para… e ele manda “vou ser lírico porque sempre fui lírico / por isso vos mando à puta que pariu.”.
E o poeta também é lírico, como ele mesmo a forma que enaltece a amada, leva-me ao trovadorismo muitas das vezes, o poeta escreve a poesia pela própria poesia, também dá aquela ideia de obra pela obra, ou quem sabe um auto-retrato, da obra por ela mesma. “A poesia / a transmitir por entre estrelas apagadas / e este pobre coração que é todo teu / amada / por que me deixas tão só oh amada / por que me deixas tão só neste caminho?”. A repetição da palavra amada, quem sabe a palavra amada como se fosse a poesia, Castro Alves tinha a poesia como uma musa “Musa libérrima audaz”, e é belo demais “amada oh amada oh amada” e a interrogação ” por que me deixas tão só neste caminho?”, o poeta não faz uso da exclamação, quem sabe isso faz com que a poesia torne-se interessante, e dá quem sabe um tom de melancolia ao mesmo tempo, de um sufoco.
Valter Bitencourt Júnior
199

Autor: Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, blogueiro, streamer/influencer, poeta e escritor brasileiro.

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