O Cantar de Catullo da Paixão Cearense


Serenata no céu
A Vasco Lima

Zoilos! Parvos arentinos!
Ceiticóides pequeninos!
Passadistas refratários!
Futuristas – legionários
dos maiores desatinos!
Poetastros retardatários!
Reis e príncipes cretinos!…

Vêde, pobres cerebrinos,
minha glorificação!

Numa dessas noites belas
tôda branca, tôda nua,
noite de recordação,
eu ouvi Deus e seus anjos,
em serenata às estrêlas,
cantando dentro da lua
o meu “Luar do sertão”.

Catullo da Paixão Cearense

Não é a primeira vez que público algo falando sobre o Catullo da Paixão Cearense, acredito que é de suma importância escrever sobre este poeta que muito tem traçado o sertão, com belas escritas, que tracam o Brasil. Na passagem dos versos a cima, dedicado ao Vasco Lima, ele fala do seu reconhecimento quanto poeta, e por fim cita uma das suas grandes escritas “Luar do sertão”, poesia musicalizada e cantada até nos dias atuais por diversos cantores sertanejos.

Catullo da Paixão Cearense, nasceu em São Luís, em 8 de outubro de 1863, muitos o coloca como poeta, músico e compositor brasileiro. Pelas suas poesias musicalizadas e com grande estilo e melodia, assim mostrando a beleza do traçar poético e até mesmo a fala do seu povo. Pesquisei por alguns anos um pouco sobre o Catullo, e encontrei em nossa atualidade diversos sites que escrevem o nome dele “Catulo” e não “Catullo” com duas letras “L”.

Nota Explicativa - Servindo de Prefácio
Neste prefácio vemos as palavras do Catullo, falando sobre a solicitação do Guimarães Martins para que ele fizesse uma seleção dos poemas dele. Assim Catullo diz que tem aplaudido a ideia do Guimarães Martins, e diz ter incluido na coletânea, algumas das Modinhas da Velha Guarda, para que o leitor pudesse conhecê-lo como trovador das antigas serenatas. Por fim o nome dele, Catullo da Paixão Cearense, e algumas notas importantes.

Neste livro, onde o Catullo tem selecionado alguns dos seus principais poemas, se encontra a palavras de grandes intelectuais daquela época, o que mostra a consagração dele, como um intelectual, assim fazendo com que ele escreva até algumas escritas falando sobre isso. Quem sabe até ele mesmo não imaginava que um dia iria ser prestigiado pela beleza de suas escritas.

Poemas escolhidos, de Catullo da Paixão Cearense
Capa do livro de Catullo da Paixão Cearense, titulado “Poemas Escolhidos”, Edições de Ouro.

Até mesmo o nome de batismo de Catullo é escrito com duas letras “L”, ele foi batizado na Paróquia de N. S. da Vitória, da Catedral, aos dias 27 no mês de janeiro de 1864. Filho legítimo de Amâncio José da Paixão Cearense e dona Maria Celestina Braga da Paixão. Até mesmo no nome  dos pais de Catullo, alguns dos dados bibliográficos não traz algumas palavras eles escrevem que o Catullo é filho de José Paixão Cearense e Maria Celestina Braga, assim eliminando a palavra “da” no sobrenome.

Não sei dizer se seria um erro de quem escreveu a biografia do Catullo da Paixão Cearense na Wikipédia e nos demais sites de busca da Google, ou se muitos pegaram um pouco um do outro. Mas, acredito que muito se foi modificado na obra do Catullo, e que não deveriam modificar o nome dele, quanto um nome registrado no cartório e quanto também um nome artístico.

Certidão de batismo - Curia Metropolitana
Certidão de batismo – Curia Metropolitana Catullo da Paixão Cearense, batizado na Paróquia de N. S. da Vitória, em 27 de janeiro de 1864.

Neste mesmo livro Poemas Escolhidos, também encontramos dados biograficos, que também acredito ser importante publicar aqui, dados este levantado  pelo Guimarães Martins sobre o Catullo da Paixão Cearense.

Dados biográficos de Catullo da Paixão Cearense
Dados biográficos de Catullo da Paixão Cearense, por Guimarães Martins.

Marruêro
A Alberto Nunes Filho, Oscar Peixoto de Barros, Silvino Porto Coelho, Otávio Ferreira e Dorival Alves

Êste marruêro moço vai cantar o seu caso a outro marruêro velho, centenário, celibatário e tocador de viola, como êle.

Esta a razão por que o autor substituiu o vocativo – Sá Dona – Por Marruêro.

Marruêro, eu sou marruêro!…
Nascendo, cumo tinguí,
fui ruím, cumo piranha,
mais pió que sucurí.

Pixúna daquelas bandas,
véve a gente a campiá!…
Deus fêz hôme, marruêro,
prá vivê sêmpre a lutá.

Meu pai foi bixo timíve
e eu fui timívi também!
O pinto já sai do ovo
cum a pinta que o galo tem.

Se meu pai foi marruêro,
haverá de eu tá tóca,
a rapá no caitú
a massa da mandioca?!

(…)

Catullo da Paixão Cearense

Nessas quadras e em muitas das poesias de Catullo, vemos que ele segue uma linhagem, assim obedecendo as pontuações, na lateral do poema, não sei  se foi algumas interferências feitas pelos editores, e se a poesia foi sofrendo também algumas mudanças. O poeta apesar de escrever a fala do povo, ele seguia uma linhagem em suas escritas, que mostra também o valor e a sua importância quanto um poeta, cantador e músico  (como também é apontado).

Publicado por Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, poeta e escritor brasileiro.

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