Poéticas do Poeta Jorge de Lima


Poemas da infância

Eu queria saber versos
como o meu amigo Lau.
Nunca vi versoos mais belos
como ele sabe lá.

Trocava até meu carneiro
meu velocípede sim
sem saber os seus versos
meu pai que será de mim?

Meu pai me bote na escola
de meu amigo Lau
quero aprender com ele
versos e não, b, a, bá!!!

Jorge de Lima, aos seus 7 anos de idade.

Minha madrinha Nossa Senhora
Está admirada de mim.
Está me olhando agora
Os olhos virados para mim.

Jorge de Lima, aos 8 anos de idade.

Benedito criado de meu pai
A ele chamam diabo
Por ser preto esse rapaz
Mas Benedito é meu amigo
Por isso eu bendigo
E lhe digo muito ancho
Benedito você é um anjo.

Jorge de Lima, aos 8 anos de idade.

Tenho pena dos pobres, dos aleijados, dos velhos
Tenho pena do louco Neco Vicente
E da Lua sozinha no céu.

Jorge de Lima, aos 9 anos de idade.

O dia de hoje é o dia de anos
Da bela professora D. Moça
Oh! Colegas alagoanoa e pernambucanos
Eu peço hoje que me ouçam
D. Moça é uma santa santa viva
Seu marido João Marinho é S. José
Colegas neste dia de hoje tenham fé.

Jorge de Lima, aos 10 anos de idade.

A serra de minha terra
Sabe histórias de trancoso
E histórias da negra guerra.

Quando eu for moço
Irei lá para ver de cima
O sobrado da família Lima.

Jorge de Lima, aos 10 anos de idade.

Hoje acordei cedo e tenho por minha vez resolvido lê algumas poesias do Jorge de Lima, então peguei uma antologia que uma das minhas amigas poetisas tem presenteado-me, e nessa antologia encontra-se os poemas do Jorge de Lima selecionados pelo Paulo Mendes Campos, e publicado na editora Segunda Edição.

Escrever sobre as coisas que se passam no dia a dia, quem sabe tem sido um dos grandes exercícios do Jorge de Lima, exercício esse que marcou a sua infância, para o enriquecimento dos seus versos. A tentativa dos primeiros versos rimando “versos com belos” e “Lau com lá” (assim fazendo até mesmo um trocadilho), “carneiro com versos”, “sim com mim”, e na última quadra o Jorge de Lima não faz rima escreve “escola com ele” e por fim “Lau com b, a, bá”. A vontade de aprender versos com o amigo Lau, e não o b, a, bá, tudo dependia da autorização do pai.

Aos 8 anos mostrava a sua visão e crença, escreve sobre a madrinha Nossa Senhora, dizendo que ela estava admirada por ele, devido ao olhar que “que ela fazia para ele”. No verso seguinte, também aos seus 8 anos de idade, ele escreve sobre o Benedito, o criado do pai dele, assim apontando o preconceito daquela época, onde chamavam o Benedito de diabo, por ele ser “preto”, mas para ele (Jorge de Lima), o Benedito era um anjo.

Assim os versos do Jorge de Lima vai ganhando um cunho social, mostrando até mesmo os seus proprios sentimentos nas suas escritas, que por sua vez se tornou nesse tempo uma espécie diário, onde ele desabafava o que via, o que sentia…  aos 9 anos escreveu que tinha pena dos pobres, dos aleijados, dos velhos, do louco Neco Vicente e da lua sozinha, ele trasnformava o que via de triste em poesia, e a lua tornou-se algo poético, nas suas palavras.

O soneto é uma forma fixa que vem sendo escrita até em nossa atualidade por diversos poetas, e é um estilo que veio de geração para geração, e o Jorge de Lima tem escritos diversos sonetos:

Canto II
Subsolo e Super Solo

I

É preciso falar-se das criaturas,
verdadeiras criaturas animadas,
das vivências totais, arbítrio e tudo,
alma, corpo funesto e essa imortal

Perpetuidade além, Deus nas alturas,
nomes de terra e nomes esternas,
anjos, demônios, sonhos acordados
e as profecia, fúrias, posses, tudo

que um poema pode ter: esse clamor,
essa indefinição, esses apelos,
– sonhos de rei Nabucodonosor,

que depois de refeito e decifrado
é a condição so bicho: carne, pêlos,
e sangue breve do homem desgraçado.

Jorge de Lima

Muitos poetas faziam sonetos, fazendo uso de alguns algarismos como título de suas composições, e o Jorge de Lima também tem feito isso, como na poesia a cima, assim separando algumas de suas poesias fazendo uso de alguns algarismos, e fazendo uso de algumas etapas com o título “Canto I”, “Canto II”, isso leva-me a algumas leituras do livro Invenção de Orfeu, da autoria dele, é claro que nem todas as suas poesias são boas, também tenho as minhas críticas a fazer, das poesias do Jorge de Lima, principalmente quando o poeta muitas das vezes escreve longas poesias (não e o caso dos seus sonetos), quem sabe seja algo que possa trazer aqui, daqui a alguns meses ou anos. O que se sabe é que todo poeta tem uma poesia ou mais que se destaca diante as outras, é o que aconteceu com muitos poetas, e o Jorge de Lima não é diferente, o mesmo quando se trata de obras, sempre tem uma obra que se destaca mais do que a outra.

Antologia Poética - Jorge de Lima
Livro que traz poesias do Jorge de Lima, selecionadas pelo Paulo Mendes Campos.

 

 

Publicado por Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, poeta e escritor brasileiro.

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