Conceição Evaristo Escrevendo Uma Nova História na Academia Brasileira de Letras – ABL


   Muitas das vezes penso, o que venha a ser a Academia Brasileira de Letras, logo vem a ideia de ser um lugar sério, de muitos intelectuais, que se consagraram de acordo com a qualidade de uma das suas obras ou mais, ou devido a se destacar, como uma figura pública. Um local criado para homens, falarem de literatura, política, economia, e tudo aquilo que faz parte da vida humana, só que numa forma fechada, um espaço em que muitos de mortais se tornam imortais.

   Mas, você pensou, por que eu tenho escrito um espaço criado para homens? Pelo fato de uma certa época, em que a literatura era tida apenas para os homens, para muitos as mulheres não tinham o direito de falar sobre literatura, elas tinham de ser a dona do lar, arrumar a casa, cuidar dos filhos e se arrumar para o marido. E quando se tratava de falar sobre literatura os homens não permitiam a participação de mulheres.

   Ao longo do tempo veio surgindo a mulher na literatura, e assim foi ganhando espaço…  Rachel de Queiroz (1910 – 2003), foi a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, em 1977 e tem também recebido o prêmio Camões em 1993. Épocas antes não aceitavam mulheres na Academia Brasileira de Letras, como eu iniciei dizendo. Em 1930, anos antes da Rachel de Queiroz se tornar a primeira membro da Academia Brasileira de Letras, Amélia Beviláqua, tinha sido rejeitada pela academia, pelo fato de ela ser mulher, não era aceita uma escrita de alma “feminina”, e sim “masculina”, o mesmo aconteceu com a Dinah Silveira Queiroz, em 1950, a candidatura dela foi também rejeitada, somemte em 1980, que ela consegue se candidatar e tornar-se membro da academia.  Mais adiante,  tornou-se membro a Lygia Fagundes Teles (1923), em 1985; Nélida Piñon (1937), em 1989; Zélia Gattai (1916 – 2008), 2001; Ana Maria Machado (1941), em 2003; Cleonice Berardinelli (1916), em 2009 e Rosiska Darcy (1944), em 2013.

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   A mulher já quebrou muitas barreiras ao longo desses anos, e depois de mais ou menos 5 anos, porque não uma nova mulher membro da Academia Brasileira de Letras? E outra, a primeira nulher negra, que pode se tornar membro da academia, pela sua tragetória de luta, e pelo o que tem feito aos longos desses anos. E Conceição Evaristo mostrou que veio com tudo, criando até um pequeno rebuliço dentro da academia, de que “a academia não pode sofrer uma pressão social, para efetivar uma pessoa”.

   Anos atrás, se não existisse mulheres interessadas em se candidatar, elas não seriam membro da Academia Brasileira de Letras tão cedo, para isso elas precisaram de garra, vontade e reconhecimento.

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Publicado por Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, poeta e escritor brasileiro.

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