Da Mesma Forma Que a Marielle Franco Foi Vítima do Estado a Juliane Duarte Também Foi


De forma maneira temos de fazer uso de um acontecimento para diminuir o outro, e é o que muitos vem fazendo hoje em dia. A mídia da mesma forma que vem falando sobre o caso Marielle Franco, também vem falando sobre o caso Juliane Duarte, e mesmo que não falasse, sabemos que ambas foram vítimas do sistema que vivemos.

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Não importa a posição política, é o que a sociedade precisa saber, tanto a direita, quanto a esquerda são vítimas do sistema, do sistema que marginaliza e mata. Da mesma forma  que a família da Marielle Franco sofre com a morte dela, a família de Juliane Duarte também sofre, o que não podemos fazer é achar que tudo isso é normal. A família do motorista Anderson também sofre, milhares de família sofre, com a perda de amigos, colegas, vizinhos, familiares… É a luta do sistema contra o tráfico.

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Gosto da música “Haiti”, da autoria do Caetano Veloso e Gilberto Gil, fala exatamente o que vem acontecendo em nossa sociedade, para quem não lembra segue a letra da música Haiti, da autoria do Caetano Veloso e Gilberto Gil:

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados

E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.

Para muitos “bandido bom é bandido morto”, para muitos é melhor matar do que legalizar. E enquanto isso morre pessoas que não tem nada a ver, como exemplo a Marielle Franco e a Juliane Duarte, e milhares de pessoas, pais e mães de família, crianças, adolescentes, adultos e senhores de idade.

O Estado que mata, também é criminoso, é o que a sociedade tem que saber, hoje em dia pessoas matam mais pessoas do que as drogas. O Estado cria a falsa ilusão de defesa social, o Estado paga dizendo nos proteger, mas a proteção maior é do próprio Estado, e por nossa vez somos subordinados pelo Estado para mantê-lo de pé, somos jogados um contra o outro.

Que lutemos contra acontecimentos como esse, sem diminuir um caso através do outro, não importa lado, todos são ser humano.

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Autor: Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, blogueiro, streamer/influencer, poeta e escritor brasileiro.

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