O Jornal O Inimigo do Rei, de Maio de 1987: Falando Sobre a Violência Policial na Bahia


O jornal O Inimigo do Rei, de Maio de 1987, falando sobre a violência policial, aqui na Bahia: “Em nenhum outro estado do Brasil há tantos linchamentos e tantos perpetrados por policiais como na Bahia. Para um governo do PMDB, cuja bandeira principal é a “mudança” esta situação deveria ser uma das principais questões administrativas.

Só durante os primeiros 45 dias do governo Waldir Pires, ocorreram oito linchamentos, na capital e interior. A polícia militar, por seu turno, já tem até um sargento envolvido em assalto a banco junto com seus comandantes e um alto oficial envolvido no assassinato das crianças Geovana e Leonardo.” segundo o jornal O Inimigo do Rei.

Eles falam também sobre as torturas: “Já não passa um dia em que não chegam às redações das rádios e dos jornais, queixas de pessoas pobres e negras (os dois ingredientes sao fundamentais num estado onde vigora o “apartheid” oficiosos, pois embora de maioria negra, todas as autoridades e a burguesia são brancas), de que foram espancadas por policiais civis ou militares.

As delegacias da Polícia Civil do Estado da Bahia transformaram-se em centros de torturas e há casos, por exemplo, de torturas e espancamentos de menores, por estarem vendendo picolé em estação de transbordo ou por estar mercando bugigangas em via pública. Como as vítimas são pobres, negras e analfabetas, vão às redações, mas morrem de medo de serem identificadas e sofrerem represália dos policiais.” segundo o jornal O Inimigo do Rei.

Eles falam também sobre a preocupação do governo quanto a isso, e que eles não tomam medidas alguma.

“A tortura nas delegacias continua correndo solta. Os policiais dispõem da vida de ladrões de galinha como se fossem ladrões do Erário. Quem rouba o Brasil em dólares, participando da “cumidilha”, é deputado constituinte, e quem rouba a galinha do vizinho porque está passando fome, é fuzilado pela polícia, ou, no mínimo, torturado. A situação é tão vexatória que na última semana de abril agentes da Policia Civil invadiram uma casa numa favela do Vasco da Gama avisando à mãe de um ez-gatuno (ladrão de relógio) que agora ela só voltaria a vê-lo no cemitério.” segundo o jornal O Inimigo do Rei, eles prosseguem: “E ainda tem gente que lute pela pena de morte no Brasil. Ela já existe – só para preto e pobre – embora os policiais também sejam pretos e pobres, aó que nem consciência de classe raça têm. Só porque recebem uma radiola aqui, um reloginho ali, “um fogo” (revolver) acolá, sentem-se acima de seus irmãos proletários. Às vezes suas casas espelham uma miséria maior do que a do marginal que perseguem com tanta fúria.”

O jornal O Inimigo do Rei também fala sobre o salário “miserável”: “Mas, falar da violência policial na Bahia e não falar dos salários de fome que a PM e a Polícia Civil pagam é ser alienado, é enfiar a cabeca na areia como o avestruz.

Há soldados da PM que não fazem mais que Cz$ 2,6 mil por mês, isto é, menos que um cobrador de ônibus. Há agentes da Policia Civil que não chegam a ganhar Cz$ 3 mil. O que ocorre então? Por razões de sobrevivência, as mesmas invocadas pelos marginais, eles partem para a contravenção, para os pequenos roubos, para as extorsões de putas e viados, para a divisão de roubo com os ladrões. Ou no caso dos mais radicais, como sargento da PM muito doido, formam uma quadrilha e roubam fardados.

Por oferecer salários irrisórios, as policias atraem a escoria da sociedade. Pessoas sem educação formal, que não têm o mínimo respeito por elas próprias nem pelos seus semelhantes e , então, está instaurada a guerra civil nas ruas da Bahia. Pois os dois lados são extremamente parecidos e vivem vidas absolutamente idênticas – a miséria do policial leva-o (com toda razão) ao delito e à violência -, e a miséria do negro pobre e desempregado produz um tipo de cidadão anti-social, violentíssimo, também, em muitos casos.”

Nos dias de hoje, essa notícia do jornal O Inimigo do Rei, publicada em Maio de 1987, continua atual, até porque é o que vem acontecendo em nossa sociedade ainda, aqui na Bahia, recentemente eu vi uma notícia de que um jovem conseguiu provar a inocência depois de um ano, ele ficou preso por 1 ano, e depois de tudo que passou, de todo o constrangimento e opressão, que ele conseguiu provar a inocência e ser absolvido das acusações, que foi de roubo coletivo e tráfico de droga.

Vi também uma notícia de um jovem que se encontra preso sem cometer crime algum, e a família vem lutando pela liberdade dele. O abuso de poder continua, homem é barrado de entrar no metrô, acusado de tentar passar sem pagar, em seguida aparece vários policiais e o agride tanto de forma verbal quanto de forma física, na Estação do metrô, um vendedor ambulante teve as mercadorias apreendidas e foi agredido pelos militares, isso foi recente!

Valter Bitencourt Júnior, 06 de agosto de 2019.

Publicado por Valter Bitencourt Júnior

Valter Bitencourt Júnior, nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 25 de junho de 1994, é anarquista, poeta e escritor brasileiro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: