Ricardo Boechat, depressão…


No ônibus, a gente sempre acaba ouvindo algumas conversas e outras, e uma delas foi sobre o Ricardo Boechat, um rapaz falando que o Ricardo Boechat foi um excelente jornalista, mas ele era depressivo, e que depressão é uma besteira, as pessoas tem de saber se fortalecer, e ser forte, outra pessoa passou a interagir e disse que existe pessoas que tem depressão e não sabe (e calou-se), o rapaz prosseguiu, quer dizer que eu vou terminar com a minha mulher e eu vou me matar? Muitas das vezes eu chego em casa a mulher quer assistir a novela, eu deixo ela assistir a novela, e compro outra televisão, eu tenho que trabalhar, ser forte, lutar para ter as minhas coisas…

Muitas das vezes fico observando essas pessoas falando sobre depressão, como se a depressão fosse algo que não existe, que é fácil de lidar… Que Deus o livre de que ele entre numa depressão, o ser humano não é forte a vida inteira, existe momentos bons e ruins, cada ser humano passa pelos seus momentos, são poucos que conseguem superar. Sempre quando escuto conversa como essa, fico pensativo, com a falta de sensibilidade de algumas pessoas, lembro de uma grande amiga que perdeu o pai, e entrou em depressão, lembro das lágrimas dela (e eu sem saber o que fazer, apenas buscando consolar em alguma forma com algumas palavras – seu pai, onde ele estiver, ele quer lhe ver feliz…), lembro dela deitada, um abraço bem fraco (leve), não via em sua face o sorriso, a memória sem funcionar direito.

Mas, quem sabe seja assim, muitas das vezes passamos a acreditar quando acontece com a gente mesma, logo o ser se torna sensível diante a tudo ao que falou. Viver em base de terapia, medicamentos, e saber que não pode parar, porque a depressão pode voltar caso pare, não é algo fácil. Saber que a mente pode levar o ser a fazer coisas que menos espera, não é fácil, o ser é capaz até de se matar, diante ao desespero, a não aceitação das pessoas, pior ainda quando a família abandona em momentos como esse.

13/02/2019, Facebook

A casa deixou de existir não havia mais a biblioteca, o cineclube, a área ambiental (mal havia árvores)


E quando acordamos sentindo a falta de algo? Sim, a gente sempre tem algo para sentir a falta. Então, eu fui fazer uma visita inusitada, ao chegar no lugar, vi novamente o que eu já esperava. Não vi mais o amigo, que lá me atendia e conversava comigo, abordando diversos temas com muita propriedade. Não vi mais a sua casa, não vi mais a biblioteca, não tinha seque o entulho para contar história, não havia mais o cineclube para assistir a “vida e as obras de Charlie Chapplin” ou quaisquer outro filme.  Veio a saudade de um tempo que não volta mais, não tinha mais com quem falar e se distrair, não tinha mais como pegar alguns livros para lê, quem sabe um livro qualquer, que falava sobre quaisquer tema, um livro de poesia, crônica, romance… Olhei para um lado, olhei para o outro.

Voltei para casa…

O abraço


Lindo o abraço,
O abraço que acolhe,
O abraço que desaba
O ser em lágrimas,
O abraço que conforta.
Lindo o abraço que marca,
O abraço que surge,
O abraço de quem
Ama,
O abraço é lindo.
Nem todos resistem
Ao abraço.
O abraço, o abraço
É poderoso,
O abraço tem poder,
O abraço cura o ser.
O abraço que nem sempre
Recebemos.
O abraço, que nem sempre
Se é dado.
Ah, o abraço, o abraço
De mãe, o abraço de pai,
Da avó, do avô, tio,
Tia, amigo, amiga, colega, irmão
Irmã…
O abraço
É benéfico.
O abraço é raro,
O abraço passa energia,
O abraço torna o ser
Mais humano.

Fascista antes e depois de candidato e futuro eleito


Eu tenho de lhe convencer de que eu sou a pessoa certa,
E você vai me eleger de acordo as minhas promessas.
Eu me faço de boa gente, faço tudo em seu nome
E você em mim acredita e eu depois lhe zombo.

Dou risada da sua miséria e me faço de um bom moço
Faço tudo pela metade, o que eu quero é o seu voto.
Ah, e você se faz de grato e me chama de “meu político”
Enquanto isso eu vou sumindo. Crio obras inacabável

E quem lucra com tudo isso? Eu que não me entrego
Mas, caso seja preso levo vários comigo.
Eu sou feito o capeta, que deu de tudo a Jesus
Cristo e nada Cristo aceitou.

Mas, você feito um bobo, tudo aceita e nada nega!
Eu lhe prometo de tudo, até um cargo em meu gabinete,
Lhe dou um emprego, jogo asfalto em sua rua,
Levo alguns médicos para medir a sua pressão

Dou alimentação. Prometo de tudo
E depois de eleito, não me procure,
Que me espere as próximas eleições,
Faço novas promessas e você já é meu bom eleitor.

Já lhe paguei até dinheiro para você levar meu nome
Lhe dou uns três mil, você se faz de esperto
Arranja outros tirado a esperto,
Dá uns vinte, cinquenta – a minha campanha está feita.

Em tempo de eleição, é dia de enganar os “sabidos”
De pobre a rico, cada um quer tirar proveito.
Ajudo um e viro a cara para outro,
E assim eu vou criando uma certa confiança.

Fulano fala das minhas ações,
Mas, sempre vai haver, quem me defenda
Com unhas e dentes. Na questão de favoritismo
Nem Cristo a todos agradou.

O fascismo começa, quando se fala algo
E depois faz diferente, o fascismo nasce
A partir das promessas – nada garante
O que eu fazer, mas prometo de tudo.

Eu sou um bom moço, prego meu nacionalismo
E patriotismo, para uma sociedade já doente
Capaz de morrer pela pátria, mesmo que passe
Fome, não tenha para onde correr quando cai na cama,

Mesmo que não seja investido recursos na educação,
Na cultura e na arte… Mesmo que viva no esgoto
Por entre baratas, ratos e tudo que é tipo
De bicho asqueroso.

Eu prego o bem familiar, faço discurso de ódio
E preconceituoso, tudo em nome da
Família, faço até uso das palavras sagradas
– Deus seja louvado!

E vocês me louva como se eu fosse um Deus.
Já estão todos subordinados
E eu haha vou fazendo de conta
De que eu sou um bom sujeito!

Valdeck Almeida de Jesus, trouxe algo para lá de interessante no jornal A Voz da Favela, com o título “Poeta ou Poetisa?”


Valdeck Almeida de Jesus, trouxe algo para lá de interessante no jornal A Voz da Favela, com o título “Poeta ou Poetisa?”:

Poeta é substantivo se origem latina e grega. Poetisa é derivado (correspondente feminino) com o sufixo “isa”. “Designar a mulher como poetisa é diminuí-la intelectualmente. Eu mesma me intitulo poeta e acho desnecessário poetE ou poetX”, opina a escritora Rita Queiroz. Cecília Meireles rejeitava ser chamada de poetisa: “Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa. / Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”. Luz Marques diz: Eu sou poeta e não reconheço poetE ou poetX; ser poeta é ser livre e dispensa gênero; posso ser homem, mulher, Iansã, uma árvore, a mãe terra…”. “O termo ‘poeta’ para utilização  por mulheres cisgêneras funciona perfeitamente, pois o uso ressignifica o termo. Mas para mulheres trans, que ainda  são vistas como ‘homens’ pela sociedade, a estratégia não tem tanto sucesso assim, uma vez que podemos associar o uso masculino do termo a essas mulheres por transfobia e não ressignifiação”. É o que pensa Yuna Vitória. Para ela, “algumas se sentirão confortáveis utilizando e outras não, por conta dessa carga”. “Eu mesma não me ofendo se for chamada de “poeta”, mas me autodeclaro poetisa, afinal, faço mesmo poesia de miudezas.”. Quanto o neutralizar o gênero ela prefere poetE e não poetX, “pelo simples fato de “poetE” ser inteligível a software para portadores de deficiência visual. É mais incluso”, finaliza. O importante é aceitar a definição que cada pessoa prefere; respeitar as diferenças e apoiar a luta de cada um (a). E viva a poesia.

Valdeck Almeida de Jesus, no Jornal A Voz da Favela, pág. 8, Salvador, Dezembro 2019.

Foto da pág. 8, do jornal A Voz da Favela, onde se encontra o artigo "Poeta ou Poetisa", de Valdeck Almeida de Jesus

Foto da pág. 8, do jornal A Voz da Favela, onde se encontra o artigo “Poeta ou Poetisa”, de Valdeck Almeida de Jesus, jornal publicado em dezembro de 2019.

Faz Tudo o Que Prometeu Mas Não Atende o Que a Sociedade Pede


Hoje, eu passei uma pequena parte da tarde conversando com um amigo, ele sempre mostrou ter uma certa preocupação com o que vem se passando na sociedade. Pois bem, somos moradores de bairro periférico, sabemos o que se passar por aqui de bom a pior.

Em um certo dia ele falou que foi convidado para uma palestra e o tema era violência, primeiramente ele agradeceu o convite, e em seguida desabafou, que a violência se encontra no bairro em que vivemos, que falta infraestrutura, que falta posto médico, que falta projetos profissionalizantes…

Pena que eu não tenho como reproduzir tudo o que conversamos, mas hoje, teve uma pequena palavra que marcou, ele disse:

“Nós temos um gestor que fez tudo o que prometeu, não fez nada o que se reivindicou, estamos fritos”

Essas palavras me deixou pensativo, é o que vem se passando em nossa sociedade, muitos dos políticos vem cumprindo com a promessa, na verdade com parte da promessa, como forma de se reeleger e ser visto como um bom “gestor”, o que a sociedade reivindica não há importância alguma para eles.

Passam por cima da sociedade, e dizem lutarem pelas causas sociais. Tem que ter uma forma de calar a boca dos mais necessitados, principalmente quando as eleições está chegando, muitos dos políticos querem mostrar serviço como forma de se reeleger. Logo nasce as estatísticas, fulano fez tal por cento do que prometeu, ciclano fez tal por cento… Mas, será que atenderam o pedido da sociedade?

Sim, estamos fritos, porque eles passam por cima da sociedade, embelezam a cidade e entregam os bairros periféricos aos ratos, barata, e tudo que é tipo de bicho asqueroso. Até chegar o tempo de eleição, promessa ali e outra acolá, começam até uma pequena obra, coloca um pouco de asfalto em uma rua, faz tudo pela metade, depois que ganha o voto e se torna eleito dá as costas para a sociedade, quanto a obra? Eles colocam como se já estivesse sido feito! Quanto a promessa? Fez uma pequena porcentagem, com mais ou menos 4 anos quem sabe faça mais um pouco.

Eles não ligam para o que a sociedade quer, não estão nem ai e nem chagando!

 

Como lidar com os pais mal criados?


Essa pergunta me veio depois que eu li alguns artigos sobre “como lidar com os filhos mal criados”, é claro que eu não vou defender, que as crianças devem serem criadas de qualquer jeito, muito menos eu vou criar métodos de como deve criar uma criança ou de como deve ser um bom pai ou mãe. Cada um cria seus filhos de sua maneira, todos querem o bem de seus filhos em alguma forma.

Surgiu-me outras perguntas, como por exemplo “quem nunca foi criança um dia?”, existe pais que também erram, alguns gritam duas vezes mais o filho para mostrar que tem autoridade sobre ele ou bate em tudo que é canto do corpo do filho, achando que essa é a medida exata para educá-lo.

Existe pais que desconta no filho, o quê aconteceu com ele na infância, na mesma forma que existe pais que educam o filho de forma diferente do que já tem passado na infância. Tem pais que busca dá ao filho tudo o que ele não teve na infância.

Em um certo dia eu estava num bar, quando uma das pessoas perguntaram se eu tinha filhos, eu respondi que não, então essa pessoa falou que eu necessito ter um filho, porque isso me ajudaria a ter mais responsabilidade. Segundo a essa pessoa ela tinha um filho, separou-se da esposa, hoje em dia paga a pensão do filho. Eu fiquei refletindo “ser pai significa ter a responsabilidade de pagar a pensão do filho?”, eu não sou pai, mas uma coisa eu tenho em mente, ser pai é muito mais do que pagar a pensão do filho.

Acredito que pai e mãe é aquele que cuida e por sua vez busca está presente em todo momento, uma separação pode causar sérios problemas na mente de uma criança. Tem pai que joga o filho contra a mãe e tem mãe que joga o filho contra o pai, existe filho que sofre diversas pressões psicológicas de ambos os lados.

Finalizo por minha vez fazendo duas perguntas, uma é a que eu vi em alguns artigos “como lidar com os filhos mal criados” e a outra é a que veio em minha mente “como lidar com os pais mal criados?”.

Valter Bitencourt Júnior: 3 Poemas


À procura

Procuro algo em mim
Entre duas pedras
Dentro de um vulcão voraz.

Procuro meu ser poeta,
Que só o meu destino
Pode encontrar!
Onde não sei…

Vejo tudo em neblinas.

Luz do dia

Desvenda-me como um poeta.
Na minha vida
Jamais avistaria isto
Neste meu ser crítico, lasso, lamentável…
Farei com que a poesia entrelace
No meu ser triste,
Pra que possa avistar sentimentos abstratos
A que não dou mínima importância
Que, no fundo, é uma alexandrita
Quando na luz do sol o seu verde
Traga-me esperança
Na luz artificial da noite o seu vermelho
Dê-me amor!
Oh! Luz do dia dê-me
Do meu ser poeta
Um dia de alegria
Pra que possa
De verdade amar
Meus semelhantes.

Sou poeta

Escuto, escuto a vida.
Ando no horizonte…
Traço do passado.
Canto para ninar
Meu coração de todas as lembranças
Sinto cheiro de telúrio molhado
Neste dia poético
Sou poeta!